
Amanhã Pedro Santana Lopes apresentará o seu programa de Mobilidade, Transportes e Estacionamento para Lisboa. Conheço algumas linhas gerais pelo que o candidato tem dito em ocasiões anteriores e pelo que já saiu nos media - por exemplo, a questão do desnivelamento do eixo Fontes Pereira de Melo / Avenida da República entre Picoas e Saldanha - mas nada mais. É por isso com expectativa que encaro esta apresentação naquele que é um tema central para qualquer cidade, mais a mais para o coração da maior área metropolitana portuguesa.
Nesse aspecto, espero sobretudo que esta candidatura se distinga daquilo que tem sido o comportamento socialista em Lisboa nesta matéria. Digo comportamento socialista porque do lado da Câmara propriamente dita, nada de relevante foi feito nos últimos dois anos, a não ser lançar a confusão na Ribeira das Naus e no Terreiro do Paço, estrangulando uma ligação vital para Lisboa sem ter acautelado qualquer alternativa. Ao nível do Governo socialista, temos assistido a algo de ainda mais grave, porque mais dificilmente reversível: a venda de metro a pataco.
E é mesmo de metro a pataco que tem de se falar quando se vê o Plano de Expansão do Metropolitano de Lisboa 2010-2020. Um plano que prevê duplicar em dez anos uma rede que demorou 50 anos a construir, sem que nada tenha sido feito para recapitalizar a empresa. Um plano que expande o Metro paralelamente à linha de Sintra na Amadora, no que constitui um gigantesco desperdício de recursos públicos. Um plano que leva o Metro até ao Infantado, em Loures, mas que deixa de fora toda a zona ocidental de Lisboa. Um plano que leva o metro ao aeroporto da Portela aprovado pelo mesmo governo que pretende fechá-lo.
Evidentemente, este plano não é para ir para a frente, nem nos prazos nem nos moldes anunciados. Desde logo porque o seu financiamento continua a ser uma incógnita. Mas sobretudo porque a expansão do Metropolitano de Lisboa deverá ser debatida com os municípios envolvidos já depois das eleições, com um novo governo e novos executivos municipais. Então porque foi anunciado com pompa e circunstância precisamente a um mês de legislativas e autárquicas? Talvez para nos tomar por parvos. A 27 de Setembro e a 11 de Outubro, devolvamos-lhes o cumprimento.
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